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Cânions do Xingó e Foz do Rio São Francisco



Cânions do Xingó e Foz do Rio São Francisco

Partimos em busca de mais uma aventura no nosso país! Dessa vez no Sertão Nordestino, a fim de conhecer a história do Cangaço e as belezas do Rio São Francisco, desde onde o rio é a represado em Xingó até a sua foz.

A sugestão de conhecer essa região foi a do mesmo amigo que havia nos recomendado conhecer o Jalapão. Mais uma vez, acertamos na mosca ao seguirmos a sua dica.

Aproveitamos o feriado de 7 de setembro, uma quarta-feira e decolamos do Rio para Aracaju pela GOL, no voo das 08:40 h. Lá chegando às 11:05 h, pegamos o carro reservado na Unidas e por volta do meio-dia estávamos na estrada para percorrer 230 km até Piranhas - AL. Nós escolhemos esta cidade como base. Tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, preferimos ficar às margens do Rio São Francisco, no estado de Alagoas. Outra opção de cidade base é Canindé do São Francisco, no estado de Sergipe.


Nossa rota foi pela BR- 235 por Areia Branca e Itabaiana, pelas SE 414, 212 e 208 por Ribeirópolis, N Sra Aparecida, N Sra da Glória, Monte Alegre, Poço Redondo e Canindé de São Francisco. Todas no Estado de Sergipe e Piranhas em Alagoas. Entre as duas últimas tem uma ponte que passa bem perto da Usina de Xingó.



Nos hospedamos na Pousada D`Lia, em Piranhas.



As instalações do hotel e o quarto são razoáveis. O quarto, bem como a TV, são pequenos, mas o que deixou a desejar mesmo foi uma janela minúscula e de frente para um paredão! Pior que havíamos lido boas criticas no Trip, mas desta vez não funcionou. Saímos para "almojantar" no centro histórico da cidade, pois o hotel fica a uns 2 km do mesmo. Aliás, as opções de hotel próximos ao centro histórico são melhores, pois tem-se o visual do rio. Passamos pelo centro de informações turísticas e subimos ao observatório da cidade para ver o pôr-do-sol no restaurante Flor de Cactus.

Que belíssima a visão do "Velho Chico". Indescritível! melhor tentar mostrar:





Saboreamos uma deliciosa moqueca de Surubim após uma entrada de queijo coalho, com molho de mel. Esperamos o pôr do sol no restaurante apreciando o anoitecer regada com uma cervejinha bem gelada.







DIA 8 SET (Qui)

Como de costume planejamos a viagem com relatos lidos na Internet. Sendo assim nosso passeio até os Cânions do Xingó foi agendado a partir do restaurante ecológico Castanho.



Deste local, distante meia hora de carro do hotel, saem passeios de lancha até mesmo mais barato que os catamarãs que iniciam os passeios das cidades de Canindé ou de Piranhas. De uma forma mais privativa e rápida, chega-se ao paraíso dos cânions. O acesso pela estrada de chão já é uma aventura à parte, onde vimos cenários da típica caatinga. Primeiras fotos dos cactos. E que cactos!!!!




A surpresa ao chegar ao restaurante é maravilhosa: um verde incrível às margens do rio São Francisco e uma estrutura rústica que se encaixa perfeitamente ao local.






O único senão. foi que apesar de termos agendado a saída da lancha para as 10 h, esta atrasou quase 1 h. Além disso, o condutor da lancha, Nil, estava com pressa e olha que a lancha era bem potente...



Bem percebemos que ele teria outra turma (inclusive com noivos) para levar após o nosso regresso. Sendo assim, o nosso passeio durou exatos 60 minutos. Mas de qualquer maneira foi inesquecível!

O charmoso Cânion do Xingó surgiu após o represamento das águas do Rio São Francisco, para a construção da Usina Hidrelétrica de Xingó (inaugurada em 1994). Por isso, somente nos últimos anos esse roteiro — de raríssima beleza — foi entrando na lista de desejos de muitos viajantes. Com o represamento das águas, o leito do São Francisco subiu quase 100 metros elevando a sua superfície até quase o topo das montanhas o que acabou formando o Cânion. Algumas cenas de novelas da Rede Globo, como O Cordel Encantado e Velho Chico foram feitas aqui, além de filmagens de uma série, Amores Roubados.



Alguns lugares da represa formam vales profundos com cerca de 130 m e mais de 60 quilômetros de extensão. Após 20 minutos de lancha desde o restaurante Castanho, chegamos em um cais improvisado no rio, que permite as atracações das lanchas e catamarãs. De lá até o Paraíso do Talhado só de barco a remo, (foto abaixo). Que visão paradisíaca!!! Confiram um pouco, mas a foto nunca retrata a realidade vista no local.






Antes de regressamos para o almoço, tomamos um banho no Rio São Francisco, próximo ao deque já citado.



Nossa refeição no restaurante Castanho foi uma tilápia frita deliciosa.



Após o almoço saímos para conhecer a pousada Mirante do Talhado que fica bem perto do Castanho, cerca de 3 km. A Pousada dispõe de chalés onde se avista o 5º maior Cânion navegável do mundo, o do rio São Francisco.



Possuem também restaurante com comidas regionais e uma vasta opção para quem gosta de aventuras do tipo de rapel, escalada, entre outros. Inclusive estava construindo uma piscina. Batemos um papo agradável com o dono, Sr José e sua incrível história de vida e de empreendimento no local. Queríamos fazer a trilha do Mirante até o Paraíso do Talhado (o mesmo que chegamos de bote), mas como a caminhada demoraria até cerca de 1h e 30 min e já se passavam das 15 h, desistimos, porque ainda visitaríamos a Usina Hidrelétrica de Angiquinho.

Optamos por conhecer esta atração turística, já que a usina está desativada. Recebemos a dica na viagem anterior (Chapada das Mesas) e que não poderíamos ir ao Xingó sem visitar a Usina construída por Delmiro Gouveia. Outro fator determinante nessa escolha foi o Sr José, que ratificou a visita, inclusive ligando para lá, (ainda bem) e avisando da nossa chegada. Somente com guias e agendamento é permitida a entrada na Usina. No caminho, cerca de 65 km, já na cidade de Delmiro Gouveia paramos por acaso no restaurante Rei da Cocada e compramos a melhor cocada das nossas vidas!!


Texto copiado da Wikipédia: "Angiquinho é o nome dado à primeira usina hidrelétrica do nordeste, localizada na margem alagoana da cachoeira de Paulo Afonso, na divisa com o Estado da Bahia. Inaugurada em 26 de Janeiro de 1913 pelo então empresário Delmiro Gouveia, a 2ª Hidrelétrica do Brasil tinha como objetivo fornecer energia elétrica a uma grande indústria têxtil chamada de Companhia Agro Fabril Mercantil localizada na cidade de Pedra (hoje Delmiro Gouveia)". Como a casa de máquinas da usina ficaria a 120 m da superfície e 80 m abaixo do teto do paredão no cânion do rio São Francisco — local de difícil acesso —, houve quem duvidasse do sucesso da obra."


Só vendo para crer que o empreendimento deve ter sido muito desafiador, pois a Usina foi construída encravada no meio de um paredão, em 1.913!!!!!




Desafiador também é a descida até a casa de maquinas da Usina:





E realmente a visita foi inacreditável e memorável. Olha a vista do local:





No museu construído no local ainda aprendemos a história de Delmiro Gouveia. Wikipédia: "Delmiro começou a trabalhar aos 15 anos de idade, em 1878, inicialmente como cobrador da Brazilian Street Railways Company no trem urbano, denominado maxambomba. Posteriormente chegou a Chefe da Estação de Caxangá, no Recife. Foi despachante em armazém de algodão. Em 1883 foi ao interior de Pernambuco, interessado no comércio de peles de cabras e de ovelhas, que passou a negociar, tendo obtido grande sucesso. Em 1886 estabeleceu-se no ramo de couros e passou a trabalhar, por comissão, para o imigrante sueco Herman Theodor Lundgren (Casas Pernambucanas) e para outras empresas especializadas nesse comércio, como a Levy & Cia. Trabalhava também por conta própria. Em 1896 fundou a empresa Delmiro Gouveia & Cia e passou a alijar seus concorrentes do mercado, empregando os melhores funcionários das empresas concorrentes. Em 1899 inaugurou no Recife o Derby, um moderno centro comercial e de lazer, que pode ser considerado o primeiro shopping center do Brasil. A partir de 1912 iniciou a construção da fábrica de linhas e da Vila Operária da Pedra, com mais de 200 casas de alvenaria. Em 26 de janeiro de 1913 inaugurou a primeira hidrelétrica do nordeste do Brasil com potência de 1.500 HP na queda de Angiquinho".








Interessante destacar que Angiquinho fica praticamente ao lado da atual Hidrelétrica de Paulo Afonso, na divisa de três estados brasileiros: Alagoas, Sergipe e Bahia.




DIA 9 SET (Sex)

Iniciamos o passeio do dia, Rota do Cangaço. Saímos às 9 h do cais da cidade de Piranhas, foto abaixo:



Fomos em uma lancha, pilotada pelo Anderson. A primeira parada da lancha foi em Entremontes, distrito de Piranhas.



A parada é obrigatória para quem deseja conhecer o trabalho da Cia do Bordado de Entremontes, uma associação fundada para estimular e preservar o trabalho das bordadeiras de rendendê, onde nada mais, nada menos que a famosíssima Ivete Sangalo já esteve. O povoado é muito pequeno, apenas com uma praça principal onde fica a igreja e a associação das bordadeiras. Porém, conhecer a localidade e fazer umas comprinhas valem a pena. As rendas são maravilhosas! A Carla ficou encantada e é claro que trouxe muitos mimos para a nossa casa.





Próxima parada: Cangaço Eco Parque. Uma excelente estrutura em pleno sertão nordestino. Funcionários vestidos como no tempo do cangaço, boas opções de lazer e um ótimo serviço.









Enquanto esperávamos para fazer a trilha até a Grota do Angico, aproveitei e andei pela primeira vez de "stand-up pedal". Alguns tombos e muita diversão.



Acompanhados da guia Valquíria, toda vestida de cangaceira, num calor intenso,

iniciamos a caminhada por volta do de meio-dia. Apesar do sol, a trilha é bem plana e em parte abrigada por sombras. No caminho aprendemos bastante sobre a vegetação da caatinga, principalmente dos cactos.








Na chegada à Grota do Angico, onde Lampião, Maria Bonita e mais nove companheiros foram capturados e mortos em 1938, tivemos uma magnífica aula da história, não só sobre o Cangaço, mas também da vida e morte desse que foi uma lenda do Cangaço, Lampião. A nossa guia fazia faculdade de Historia, que sorte !



Conhecemos nessa trilha, o Elói, cuja aventura merece um comentário. Ele já havia percorrido 2000 km de bicicleta em quase 60 dias, seguindo as cidades próximas ao curso do rio São Francisco, desde a nascente do rio. E ainda pretendia chegar à foz do mesmo. Impressionante, né!

Após o almoço, descansamos nas redes do Eco Parque à sombra das mangueiras curtindo uma brisa sensacional, enquanto esperávamos pelo regresso do Anderson. De volta à cidade, ainda tivemos tempo de visitar a casa do Artesanato e o Museu. A decepção ficou por conta do museu do Sertão, cujo acervo é fraco e muito pequeno. Somente alguns pertences ou fatos marcantes de Lampião são interessantes, como esta recompensa. Ao chegarmos na segunda sala, nem acreditamos que era a última. Que pena!




Para encerrar o dia, sentamos no Bar e Cachaçaria Altemar Dutra bem no centro histórico. Descobrimos que é o mesmo proprietário do Cangaço Eco Parque e logo notamos a qualidade dos serviços. A gerência de ambos é muito boa. Apesar de a campanha política tentar atrapalhar o nosso entretenimento, com seus carros de som ensurdecedores, não conseguiram, pois curtimos deliciosos drinks.


DIA 10 SET (Sab)

Saímos bem cedinho do hotel pois teríamos que percorrer cerca de 210 km, passando por Olho d'Agua das Flores, Monteirópolis, Jacaré dos Homens e Arapiraca na Al - 220. Depois pegamos a Al - 110 e passamos por São Sebastião até nos instalarmos no Hotel São Francisco em Penedo.



O mesmo fica bem no centro da cidade. O hotel destoa da paisagem e charme das ruas históricas, pois além de ser enorme, é bem moderno também. A vista é privilegiada, bem como o quarto! Valeu muito a indicação do hotel.



No trajeto para o restaurante visitamos a Igreja N Sra da Corrente, construção iniciada em 1754, concluída 30 anos depois. Interessante que conhecemos compartimentos secretos atrás dos santos, onde se escondiam escravos fugitivos. Não conseguimos imaginar como eles conseguiam ficar o dia todo em pé num lugar minúsculo.... e só saíam à noite!!







Almoçamos a beira-rio, no restaurante Oratório. Muito boa opção principalmente pela dica de experimentarmos a pilombeta frita (manjubinha). Que delícia! Havíamos agendado o passeio até o delta do rio na agencia Farol da Foz, para às 14:30 h. A agencia fica em Piaçabuçu, distante 25 km de Penedo.



Como somente nós dois faríamos o passeio e se fossemos de buggy ficaria muito caro, optamos pelo barco. Ótima escolha pois fomos recompensados com uma ida até o encontro das águas do rio com o mar, onde banhamos, tomando cuidado de ficar perto do barco e longe da correnteza, orientado pelo patrão do barco. Triste coincidência que na semana seguinte aconteceu esta tragédia:


Fizemos ainda uma parada a mais nas dunas e por ultimo, mas não menos importante, um pôr-do-sol inesquecível a bordo. Confira um pouco deste visual:
















À noite comemos uma pizza na La Pizza, bem distante do hotel. Completamente diferente de Piranhas, cujo centro histórico é bem cheio a noite por conta dos restaurantes e bares, Penedo não tem vida noturna nesta área. Um deserto! Soubemos até de um assalto no restaurante da Casa da Aposentadoria nesta noite.


DIA 11 SET (Dom)

Dia do regresso. Após um excelente café da manhã fomos conhecer os atrativos do centro histórico. Fizemos um circuito a pé pela Catedral Diocesana, Casa da Aposentadoria e Oratório dos Condenados. Infelizmente o Convento Franciscano e igreja S Maria dos Anjos, bem como o Teatro Sete de Setembro estavam fechados. Encerramos nossa conta no hotel e pegamos a balsa para Neópolis do outro lado do rio. Ainda conhecemos Nossa Senhora Santana do São Francisco, ex Carrapicho, a 2 km de distância. Famosa pelo artesanato em barro, fomos conferir. De lá, trouxemos a famosa dupla Lampião e Maria Bonita feitos em barro:







Após as comprinhas básicas, retornamos para Neópolis, circulamos o centro, cuja praça é muito bem cuidada, inclusive com arvores a la "Edward Mão de Tesoura", como esta...kkk:








De volta a estrada, seguimos em direção a Aracaju (121 km) pelas SE - 335 e BR - 101. Ainda caímos numa furada ao avistarmos uma placa na Br, indicando Capela e lá fomos nós, achando que seria uma bela capela bucólica. Mas se tratava de outra cidade típica do sertão. Ainda bem que só rodamos 9 km da Br - 101. Chegamos em Aracaju e almoçamos no restaurante Miguel. Ótima pedida, onde saboreamos uma carne de sol deliciosa. Devolvemos o carro no aeroporto, após quase 1000 km rodados e embarcamos para o Rio no voo das 17 h. Mais uma excelente viagem a dois e que deixará saudade do rio São Francisco e do nordeste brasileiro!

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